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Wish You Were Here

Trilha sonora ao fim do post.

Ah, os bons tempos! Aqueles dias na faculdade de Direito no final dos anos 70… Eu, veterano; você, caloura. Seu longo cabelo negro a se movimentar sinuosamente junto de seus decididos passos pelos corredores. Sempre demasiado séria, porém igualmente encantadora. Os olhos cristalinamente verdes, misteriosos e desafiadores. Claramente, era uma mulher passional, porém firmemente comprometida com seus tão arraigados princípios. Ah, como eu me lembro bem da primeira vez que estivemos de fato frente a frente, no seu primeiro dia como participante do grupo de estudos liberais e conservadores da nossa faculdade! Assertiva, veemente, com uma empostação persuasiva e profundamente convicta. Era como se ela estivesse diante um grande público e não apenas frente a uma dezena de outros estudantes de Direito com ideias similares às dela.

Também pudera, você estudara teatro por toda a vida antes de ingressar na escola de Direito. E, como seria óbvio, era pelo Direito Penal que pulsava seu coração. E que criminalista brilhante eu vislumbrava mesmo sem conhecê-la por mais que algumas conversas! Mas você era mais que isso… Muito mais! Cantava com uma afinação e uma entrega que mesmo entre profissionais da música não costuma ser tão perceptível. Não demorou a que nos aproximássemos; que grande alegria foi descobrir que você estava disponível! O flerte não tardou, tampouco o início de uma relação tão sólida como cada palavra que você proferia no grupo de estudos ou mesmo em debates com grupos que pregavam doutrinas opostas as que defendíamos. Foi tudo tão rápido…! Apenas algumas semanas e veio o noivado; poucos meses, o casamento.

E ainda que fosse intempestiva, você era alegre, ocasionalmente doce e sempre, sempre astuta. Você emanava poder, você emanava autoridade. Mas era também divertida, ousada, estonteante. Tão focada na carreira, tão empenhada em construir um nome como criminalista independente do nome de seu pai. Eu ansiava ser pai; você, porém, ainda não estava preparada para ser mãe. E eu respeitei isso e foi ainda maior a alegria que me dominou quando segurei nosso primogênito pela primeira vez e poucos anos depois a nossa menina.

Então começamos a nos distanciar… Você sempre extremamente dedicada a sua mais complexa cliente, fazendo viagens semanais ao litoral; dedicando tantas madrugadas a leituras repetidas e incessantes sobre esse e outros de seus casos. E você conquistou a reputação profissional que eu sempre soube ser-lhe merecida. E como isso me enchia de orgulho! E, sinceramente, não me importava, pois sua alegria sempre foi a minha alegria e eu me sentia o mais privilegiado dos homens por ter uma mulher como você, a quem eu tanto admiro, a meu lado. E como foi maravilhoso contar com seu apoio quando decidi começar a perseguir de fato o meu mais antigo sonho: tornar-me político e dar continuidade ao legado de políticos liberal-conservadores iniciado décadas antes por avô paterno e fortalecido por meu pai.

Ao mesmo tempo em que você apoiava e incentivava o meu projeto político, notei o brilho em seus olhos esmaecer a cada jantar, a cada reunião. Você considerava as mulheres dos outros políticos vazias, pouco envolvidas com as ideias de seus maridos, e isso te incomodava profundamente, era notável. Mas você também temia a minha ascensão, eu sabia. Temia ter de se afastar da carreira pela qual tanto trabalhara; temia tornar-se primeira-dama… Você sempre foi uma líder nata e não era talhada para o mero suporte. Você não queria perder a independência diante juízes; não queria ter de medir suas palavras em nome de uma campanha política. Na verdade, você nunca suportou a ideia de um dia vir a ser primeira-dama em qualquer nível que fosse. O seu espírito livre e ávido por independência que me fez te amar foi também o que te fez afastar-se de mim.

Como doeu, após quase vinte anos de união, escutá-la dizer que me amava, mas que não podia continuar comigo. Você queria o meu sucesso, você torcia por mim o tanto quanto eu sempre torci por você, mas admitiu-se inadequada aos meus sonhos. E partiu. Vamos superar isso, mas separados; você me disse, com os olhos marejados e avermelhados. O divórcio impôs-se, mas os bons momentos do passado e a afeição mútua fez com que continuássemos parceiros, melhores amigos, confidentes; a admiração que nutrimos um pelo outro só fez crescer.

Hoje você permanece como uma das mais reconhecidas criminalistas do país; hoje minha carreira política aproxima-se do ápice que a carreira de qualquer político pode alcançar. Hoje estou feliz por suas conquistas e também pelas minhas, assim como você jamais escondeu ser recíproco o sentimento. Você era a mulher que eu amava. E talvez ainda o seja. E talvez, ainda que apenas secretamente, o seja para sempre.

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O que eu ouvia na adolescência – Ginásio (2003-2006)

Mais uma vez eu escrevo aqui inspirada pela querida Lari, do Yellow Ever Shine, que recentemente publicou sobre músicas que ela costumava ouvir na adolescência. Diferentemente dela, contudo, eu ainda escuto com a mesma empolgação pelo menos uns 90% do que irei mostrar aqui. E como é muita coisa que eu acredito que vale ser citada, vou dividir esse tema em três posts, de acordo com a fase escolar que eu estava vivendo: Ginásio (2003-2006); Ensino Médio (2007-2009); Faculdade (2010-2013). E hoje, como gosto de seguir a ordem temporal da coisa, eis a playlist do que ouvi entre os 11 e os 14 anos (link para o Spotify).

2003 foi meu primeiro ano de ginásio e ano em que comecei a assistir MTV. E foi ouvindo “Complicated”, da Avril Lavigne, que eu me interessei em começar a aprender inglês a sério, e, obviamente, outros singles do Let Go, primeiro álbum da canadense, tiveram grande importância nisso, como “Ske8er boi” e “I’m With You”. E lá estava eu com a TV sintonizada na MTV quando estreou o vídeo do último single do álbum Britney, “Anticipating”, que nada mais era que o fragmento do Live In Las Vegas, da Dream Within a Dream Tour, em que ela dublava e dançava a canção. Confesso que muito do que me atraiu no vídeo foram o figurino e o cenário coloridos do show hehe Já o clipe de Dirrty, primeiro single do álbum Stripped de Christina Aguilera, era aquele clipe meio “proibido” – era extremamente sexual e eu morria de vergonha de assisti-lo na frente da minha mãe, embora já naquela época eu gostasse bastante da música. Aliás, Stripped, lançado em 2002, meu álbum favorito até hoje, e também até hoje acompanho de perto as carreiras de Avril Lavigne, Britney Spears e Christina Aguilera e ainda escuto muito todos os seus álbuns.

Ainda no universo pop, a parceria de Britney e Madonna em Me Against the Music, carro-chefe do álbum “In The Zone”, de Britney; bem como as faixas Toxic e Everytime, os seguintes singles do mesmo álbum, estiveram entre as músicas que mais me marcaram no período. Hollywood, Madonna; More to Life, Stacie Orrico; Here It Comes Again, Melanie C; All the Things She Said, t.A.T.u.. Na época eu destestava Clocks, do Coldplay, mas hoje aprecio a música. Era 2005 quando comprei o meu primeiro CD, o “My Prerogative: Greatest Hits”, da Britney Spears, no qual não só conheci as excelentes My Prerogative (releitura da música de Bobby Brown) e Do Somethin’ (inédita), com também me apaixonei por um antigo sucesso de Britney que até eu desconhecia, Born to Make You Happy. Obviamente, o álbum também me fez ouvir repetidamente …Baby One More Time, Sometimes e I’m Not a Girl Not Yet a Woman.  Ainda em 2005 vi o retorno dos Backstreet Boys com a maravilhosa Incomplete, mas eu ainda ouvia frequentemente Shape of My Heart. No meu aniversário de 14 anos, em 2006, ganhei da minha mãe o álbum “Under My Skin”, de Avril Lavigne, e, certamente, My Happy Ending e Nobody’s Home foram as músicas que mais escutei naquele ano. Foi nesse ano também que Sorry foi o segundo single do aclamado “Confessions on a Dance Floor”, sem dúvidas um dos meus favoritos de Madonna. E por falar em Madonna, escutei demais o cover da Kelly Osbourne para Papa Don’t Preach.

Músicas mais sentimentais começavam a me despertar a atenção naquela época e Could It Be Any Harder, do The Calling, e Through the Rain, da Mariah Carey, foram apenas as primeiras delas. Aliás, já até escrevi crônica inspirada pela primeira. Outras músicas do tipo que me marcaram muito esse período da vida foram My Immortal (Evanescence), The Voice Within (Christina Aguilera), Who Knew? (P!nk), Wake Me Up When September Ends (Green Day), Because of You (Kelly Clarkson). Sim, eu chorei muito com todas essas músicas e ocasionalmente ainda me comovo fortemente ao escutá-las, sobretudo Because of You e Could It Be Any Harder. Hurt, do álbum “Back to Basics” (2006) da Christina Aguilera, em especial, mexe comigo tanto pela combinação letra e melodia como pelo videoclipe em estilo circo antigo (anos 40) que tem um palhaço meio sinistro no meio. Junto com The Voice Within, sem dúvidas, é minha ballad favorita da Aguilera.

Nunca fui uma grande fã de R&B, mas naquela época o estilo vivia um de seus auges, com Beyoncé iniciando a carreira solo, Black Eyed Peas alcançando o estrelato e Pussycat Dolls e Rihanna surgindo no cenário musical. Crazy in Love, Naughty Girl e Deja Vu, da Beyoncé, estão entre minhas músicas favoritas da cantora até hoje e, inclusive, considero seus dois primeiros álbuns, “Dangerously in Love” (2003) e “B’Day” (2006), os melhores de sua carreira e muitíssimo superiores aos dois últimos que, embora aclamados pela crítica, são para mim mera propaganda ideológica, o que eu abomino em música. Quem não se lembra também de Dillema, a parceria entre o rapper Nelly e a cantora Kelly Rowland que tocou horrores naquela época? Por falar em rapper, uma música que eu detestava na época e hoje amo é Cleanin’ out My Closet, de Eminem – mas isso é uma exceção, em geral, sigo não apreciando esse estilo musical. Jenny from the Block, da Jennifer Lopez; SOS, da Rihanna; It’s Like That, da Mariah Carey e Buttons, das Pussycat Dolls foram outras das músicas desse estilo que serviram como trilha sonora do comecinho da minha adolescência.

Nunca fui emo, mas a estética emo de 2005 contagiou o cenário musical e eu não escapo de ter gostado de várias das músicas com que o ditos emos se identificavam. Perfect, Simple Plan; Helena, My Chemichal Romance; I Write Sin Not Tragedies, Panic! At the Disco; Holiday, Green Day. Aliás, foi a vibe emo que me despertou a atenção para ritmos mais pesados como os de Somewhere I Belong e Numb, Linkin Park; Máscara, Pitty; Bring Me to Life, Going Under, Sweet Sacrifice e Call Me When Your Sober, Evanescence. O rock mais pop do Bon Jovi me cativou nessa época com a bem-humorada Missunderstood, bem como a psicodélica The Zephyr Song foi a canção que oficialmente me apresentou ao Red Hot Chilli Peppers. E esse parágrafo não estaria completo sem a honrosa menção a “Fighter”, a música mais rock já gravada por Christina Aguilera.

Para encerrar esse primeiro capítulo, embora eu me identificasse muito com “A Quien Le Importa”, lançada em 2003 pela Thalía, foi em 2005 que me lado latino aflorou de vez. Foi o ano em que Shakira lançou a belíssima No; o RBD surgiu na novela Rebelde (e eu ainda escuto meus cds do RBD, podem rir, sobretudo o último, de 2008) com canções como Sólo Quédate en Silencio e Énseñame; a dupla Lu fez sucesso ao ter Por Besarte na trilha sonora de Rebelde e eu assisti “La Madrastra”, cujo tema principal era Víveme, da Laura Pausini. Já em 2006 eu assisti “Heridas de Amor” e sua música tema homônima, de Ricardo Montaner, é ainda uma das que mais me inspira a escrever.

Para quem não conhece as músicas e ficou curioso ou para quem quer relembrar aquela época, montei a playlist “Ginásio (2003-2006)”  no Spotify com quase todas as músicas que citei (as do RBD não constam na plataforma), já que colocar todos os videos aqui deixaria o post ainda mais longo do que ele já é.

Thais Gualberto

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Resenha: Desculpa Se Te Chamo de Amor

Nikki tem 17 anos; Alex, 37. Com o noivado recentemente terminado por sua noiva e sem um motivo concreto, Alex também se encontrava severamente no trabalho, onde sua carreira como publicitário parecia em risco. Eis que um acidente faz com que se cruzem os caminhos da estudante e do publicitário e não demora até que um sentimento distinto e, dada a diferença de idade entre eles, incômodo, floresça. Serão eles capazes de levar adiante o que surgiu como uma mera faísca e ainda enfrenta a oposição de amigos e familiares de ambos? É a desvendar isso que se presta a narrativa “Desculpa se te chamo de amor“, do italiano Federico Moccia!

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Editora: Planeta

Páginas: 424

Onde encontrar: Saraiva

Originalmente nomeado “Scusa Mai Ti Chiamo Amore”, o romance tem uma dinâmica de escrita que considero um tanto quanto distinta da qual em geral estamos acostumados a encontrar nos romances americanos e britânicos, mas ainda assim envolvente à medida que avançamos as páginas. Risos, emoção, comoção, medo, surpresas; todos elementos bastante explorados por Moccia em sua musical e poética escrita em prosa. Ah, existe ainda o filme baseado na história e a sequência desta, intitulada “Desculpa, Quero Me Casar Contigo”, que não li, mas também conta com um filme.

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Continuação em livro de “Desculpa se eu te chamo de amor” e os dois filmes baseados no livro. No Brasil, o filme “Scusa Mai Ti Chiamo Amore” é intitulado “Lição de Amor”

A riqueza de detalhes nas descrições e a beleza das metáforas utilizadas por Federico Moccia, sobretudo nas cenas mais intensamente românticas, que embora muitas vezes explícitas, são muito mais eróticas que pornográficas. Além disso, agrada-me a sutiliza com a qual é abordado o amor entre pessoas de idades tão discrepantes, pois mesmo para quem não tem fé nesse tipo de amor, é impossível não torcer por Alessandro e Nikki. Destaque para o personagem Andrea Soldini, que se revela importante e interessante. Cabe lembrar também as excelentes citações musicais, pois são poucos os livros que fazem menções tão explicitas a cantores, discos, canções… Gosto muito desse recurso, que é quase como dar uma trilha sonora à história… E fiquei muito feliz quando foi citada “Gli Ostaccoli del Cuore, da cantora Elisa, que eu já conhecia antes da leitura, e também quando mencionaram as canções de Laura Pausini, que eu amo.

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O excesso de personagens pouco explorados ao longo do romance, mas que possuem uma história própria, como Mauro e Paola, e que pouquíssimo tem a ver com a história. Isso confunde o leitor, tal como a introdução de pensamentos/falas dos personagens nos trechos do narrador sem qualquer alteração na formatação, como o uso do itálico, por exemplo. Também tenho a impressão de que a tradução não favoreceu o texto.

Li esse livro em 2011, mesmo ano em que publiquei sua resenha em meu primeiro blog e hoje eu a revivo por aqui… Continuo sem ter lido a continuação ou mesmo assistido os filmes, mas confesso que sou MUITO relapsa quanto a filmes hahaha Vocês já leram, viram os filmes? Digam nos comentários!

Thaís Gualberto

The-One-and-Only

Resenha: Primeiro e Único

Em seu sétimo romance, Primeiro e Único“, Emily Giffin nos apresenta ao mundo das competições de futebol americano universitário por meio das melhores amigas Shea e Lucy. Com seus pais enfrentando um traumático processo de divórcio, Shea foi praticamente criada no seio da perfeita família de Lucy, filha do famoso e adorado treinador Clive Carr. Enquanto Lucy é decidida, persuasiva e vaidosa, Shea é mais reservada, conformista e apaixonada por futebol americano, paixão esta internalizada pela convivência com o treinador Carr.

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Editora: Novo Conceito

Páginas: 446

Onde encontrar: Saraiva, Amazon, Americanas 

Com a morte da mãe de Lucy, resta ao treinador a missão de unir e motivar a família, o que, obviamente, inclui Shea. E é a partir desse baque que Shea põe-se a reavaliar sua própria vida: um namoro com alguém por quem não morre de amores; um emprego no departamento de esportes da faculdade em que se formou no qual estava já havia mais de dez anos; uma vida inteira na mesma cidade.

Não, a sinopse oficial do livro não te prepara para o desenrolar dessa trama corriqueira (tampouco o parágrafo anterior), porém repleta de interessantes matizes. A começar que o primeiro e único da protagonista não foi quem eu de cara imaginei ser, mas ainda assim descobri o indivíduo correto antes de a situação ser explicitada no enredo. A dor e a superação do luto, relação entre pais e filhos, amores proibidos, violência doméstica, traumas, arrependimentos, a busca por um sentido na vida – todos temas abordados com habilidade, porém, ainda assim, de maneira leve.

Pessoalmente discordo do breve discurso desarmamentista de algumas personagens. Considero bem picareta a associação que feita entre armas e violência, quando é sabido e notório que 1. os estados mais armados da América são os menos violentos, uma vez que saber que se alvo pode reagir repele a ação criminosa 2. Mass shootings só acontecem em gun free zones – todos os tiroteios que repercutem se dão em zonas em que armas são proibidas, mas esse detalhe é sempre omitido pela mídia, que é majoritariamente desarmamentista 3. Brasil está aí, população desarmada e 60 mil homicídios/ano, pois quem quer cometer crime com arma de fogo sempre vai conseguir pela via ilegal enquanto tem a certeza que sua possível vítima estará desarmada e com meios mais restritos de oferecer resistência. Mas enfim, isso é apenas uma divagação que, como leitora assídua da temática, não poderia deixar passar. De maneira nenhuma me oponho a que a autora utilize suas personagens para transmitir suas próprias visões de mundo, naturalmente; só me oponho às ideias. Para quem tiver interesse/curiosidade a respeito da ótica liberal (nunca mostrada pela mídia) quanto ao tema, recomendo os livros Violência e Armas, de Joyce Lee Malcom, e Preconceito Contras as Armas, de John Lott Jr..

POR OUTRO LADO, AMO como o livro menciona vários cantores e músicas country, vários que amo, aliás, como Carrie Underwood, Brad Paisley, Dixie Chicks, Sara Evans, Rascal Flatts, Tim McGraw, Garth Brooks. Mas um livro ambientado no Texas não poderia ser diferente hahaha Isso sem falar nos momentos bem-humorados da história, a maioria deles dos personagens fazendo galhofa da própria desgraça.

“Nunca me tornei uma dama do Sul. […] Assim, eu acabava com caras como Miller, que quebravam todas as regras e, nas palavras da minha mãe, calçavam botas em todas as ocasiões erradas, ou seja, nos casamentos”.

Assim sendo, apesar de minhas ressalvas teóricas em relação a alguns posicionamentos de algumas personagens, eu recomendo fortemente a leitura de Primeiro e Único para todos os que, como eu, apreciam histórias cotidianas. Virei rápido as páginas, ri em vários momentos, fiquei tensa em outras e odiei alguns poucos, mas trata-se, sem dúvidas, de uma boa história. E mesmo que você não goste de futebol americano (bem, eu detesto todas as variantes de futebol) e esta seja uma parte muito veemente da narrativa, continuo a recomendar essa história, pois acima de tudo é uma história sobre pessoas e o que há de bom e ruim em cada um de nós e sobre os trade offs inusitados com os quais nos deparamos no decorrer da vida. Não é meu favorito de Emily Giffin (Presentes da Vida é insuperável), mas é muito superior ao que considero como o pior da autora (Ame o que é Seu), portanto, 9/10!

Thaís Gualberto

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Resenha: Bedtime Stories

Em 16 de agosto de 1958 nascia Madonna, a rainha do pop, a que se reinventa como ninguém. E por isso trago hoje a resenha de um dos meus álbuns favoritos da americana de raízes italianas, o Bedtime Stories, de 1994. Para quem quiser ouvir o álbum enquanto lê, ele está disponível no Spotify e no Youtube.

Sucessor do polêmico e exitoso Erotica (outro dos meus favoritos da cantora – confesso que foi bem difícil escolher entre os dois, mas preferi falar de um álbum menos conhecido do grande público e igualmente sensacional), Bedtime Stories é composto por onze faixas e foi nomeado para as categorias “Melhor Performance Vocal Pop” e “Melhor Album Pop” do Grammy Awards de 1995. Produzido por nomes como Babyface, Dallas Austin, Nellee Hooper  e Dave Hall, predomina no álbum uma sonoridade melódica, ocasionalmente sussurrada, e característica do R&B do começo dos anos 90. 

Na ocasião em que Bedtime Stories foi lançado, como se pode ver (e ouvir) em comentário da própria, a cantora declarou que esse seria um álbum sem referências a sexo, não porque ela houvesse mudado, mas porque ela considerava ter esgotado o tema em seus trabalhos anteriores. Ainda assim, a aura sexual que sempre envolveu Madonna permanece intacta nesse primoroso trabalho que é Bedtime Stories, sobretudo nos arranjos. Uma outra curiosidade sobre o álbum é que este foi o último disco da cantora a ser lançado no formato de vinil no Brasil.

Como não tenho o álbum físico, deixo as imagens do encarte que encontrei na página Encartes Pop.

Survival: Introdução glamourosa e tao provocante como o primeiro verso da excelente canção. “I’ll never be an angel  I’ll never be a saint it’s true”. A música ainda faz referência a um sucesso da cantora do álbum Like a Prayer, de 1989, mais especificamente Live to Tell.

Secret: Primeiro single do álbum, Secret é, em minha opinião uma das melhores já lançadas por Madonna, e o melhor carro chefe entre todos os trabalhos. Como não se sentir envolvido pelos acordes iniciais, pela melodia única e intrigante e pelos excelentes vocais da faixa?  “Happiness lies in your own hand. It took me much too long to understand”, diz um dos melhores trechos da música, ainda que seja o “Mmmmmm… My baby’s got a secret”o trecho que realmente gruda. Eis mais uma daquelas músicas, a propósito, que já citei em algum dos meus livros. 

I’d Rather Be Your Lover: Mais influenciada pelo R&B que as anteriores, IRBYL é, talvez por isso, uma das canções que menos me desperte a atenção em todo o álbum, mas, ainda assim, é uma excelente música e ótima para escrever sequências de explícito flerte nas histórias que escrevo.

Don’t Stop: Faixa mais pop e divertida até aqui. Embora não muito expressiva em relação ao álbum como um todo, não deixa de ser uma excelente faixa.

Inside of Me: Aqui Madonna explora um registro mais agudo que o predominante no restante do álbum, criando uma atmosfera de fragilidade e sensualidade, o que é complementado pelos suspiros e sirenes ao fundo, como parte do arranjo. Especula-se que a música seja uma referência a alguém do passado da própria cantora.

Human Nature: Lançado em junho de 1995 como quarto e último single do álbum, é uma resposta às críticas que a cantora recebeu pela imagem adotada na era Erotica, o trabalho mais explicitamente sexualde Madonna. Confesso que, na primeira vez que ouvi a faixa R&B, não gostei de sua sonoridade, tampouco dos vocais, mas, hoje em dia, gosto bastante da música.

Forbidden Love: Voltam os vocais mais graves e o clima intimista e envolvente. Gosto bastante do arranjo e, como explicitado no título, é excelente para escrever amores proibidos.

Love Tried To Welcome Me: A melhor introdução do álbum pertence à faixa mais longa da obra.  Menos R&B, mais pop ballad. Adoro como a guitarra espanhola volta a ter destaque perto do fim da música, que, sem dúvidas, é uma das minhas favoritas do álbum, tanto pela sonoridade como pela letra.

Sanctuary: Mais uma faixa marcadamente R&B 90’s. Embora eu goste bastante da letra, a melodia não é das minhas favoritas e é justamente o tipo de letra que gostaria de ver entoada como pop ballad e então consideraria a música como um todo perfeita.

Bedtime Story: Composta pela islandesa Björk, a faixa-título foi o terceiro single do álbum e é a música que menos gosto do Bedtime Stories. Ao menos para mim, trata-se de uma música irritantemente experimental e hipnótica, com batidas industriais e algo perturbadora. Uma curiosidade sobre a música é que seu videoclipe encontra-se em permanente exibição no Museum of Modern Art (MoMA) de New York. Bedtime Story basicamente celebra o mundo do inconsciente e se assemelha bastante a algumas faixas do álbum seguinte de Madonna, Ray of Light, de 1998, muito influenciado pela sonoridade New Age.

Take a Bow: Uma das minhas favoritas da carreira de Madonna, Take a Bow foi o segundo single do álbum e é um dos maiores sucessos da cantora,  cujos vocais soam excepcionais nesta melódica e apaixonada balada. O clipe de Take a Bow ganhou uma continuação no clipe da minha música favorita da cantora, You’ll See, lançada no álbum Something to Remember (ouvir no Spotify), uma coletânea das baladas lançadas pela cantora em dez anos de carreira e três canções inéditas.

Favoritas: Secret; Take a Bow; Inside of Me; Love Tried to Welcome Me

Enche Linguiça: Sanctuary; Bedtime Story

Bedtime Stories é um álbum incrível por trazer uma Madonna distinta daquela a qual o público estava acostumado àquela época. Canções mais melódicas, vocais mais graves. Eu, particularmente, considero a Madonna típica uma cantora vocalmente mediana, porém brilhante ao entoar baladas e acho que é por isso que amo o Bedtime Stories (e também a coletânea Something to Remember): amo como nele predomina um tom mais grave. Enfim…

Já conheciam o álbum, deram uma chance agora ou nunca o ouviriam? Deixe seus comentários!

Thaís Gualberto