The Right Man / Open Arms

Dezessete horas em ponto quando o mais superior dos botões em madrepérola foi fechado. Calçados os peep toes de alto salto e meia-pata, voltou-se para o espelho. Emocionada, sorriu. Contente, nervosa, plena, apreensiva. Chegara o grande dia, aproximavam-se os grandes momentos. A condução, o sim, a primeira dança, a primeira vez. Respirou fundo. Amava-o tanto, sentia-se tão amada. Mas também sentia uma pontada de tristeza. Ou seria nostalgia. Respirou fundo. A maquiagem era à prova d’água, mas não queria chorar, não queria vermelhos os olhos. Tornou a sorrir. Sentia-se e estava belíssima. Algumas fotos diante a penteadeira de seu quarto de solteira, outras à varanda do quarto. Retornou ao interior do quarto. Pediu à fotografa, à cabeleireira e à maquiadora que se retirassem. Na madrasta, a quem queria como uma verdadeira mãe, um forte abraço.

_ Vou chamar seu pai… – sussurrou Victoria.

_ Por favor…

Mariana permaneceu de pé. E respirou fundo, encarando com apreensão a porta de seu quarto. O movimento lento não tardou e logo aquele par de olhos verdes que desde sempre amou a fitava maravilhado e turvado pelas lágrimas de nostalgia e alegria que ele não podia conter. Olharam-se, contemplaram-se e Eduardo lentamente aproximou-se de sua menina, de sua querida filha mais nova. Como era-lhe imensamente difícil porém regozijante ver a filha crescida, ali, bela e no vestido imaculadamente branco. Como era-lhe imensamente difícil aceitar que sua garotinha já era uma mulher. Como era-lhe difícil imaginar que talvez em breve, talvez em alguns anos, veria sua garotinha grávida e fazê-lo avô. Como era-lhe difícil encarar que já não a veria todos os dias em casa e que já não teria seus perspicazes comentários à mesa em todas as refeições e que já não teria sempre por perto sua melhor confidente, a filha com que sempre teve maior afinidade. Um forte, demorado, apertado e emocionado abraço.

_ Minha menina… – murmurou, com a voz embargada. – Como você cresceu rápido, minha menina… Que linda e extraordinária mulher você se tornou, minha querida… Que homem de sorte é Miguel…

Com um comovido sorriso, Mariana tocou o rosto do pai e, com as costas da mão direita, secou-lhe uma lágrima.

_ Papai, papai… Muito obrigada por tudo até aqui, por ser o meu maior exemplo, por ser o meu melhor amigo… Estou tão nervosa!

_ É o normal… Até hoje fico ansioso quando planejo alguma surpresa para Victoria… Mas, apesar dessa tensão, estou tranquilo. Tranquilo porque sei que Miguel te ama tanto como eu amo minha Victoria e te quer tão bem como eu mesmo, minha filha. E não há nada que um pai não deseje mais para uma filha que ela encontrar alguém que a valorize e possa fazê-la feliz…

Outro abraço. Mais demorado, mais silencioso que o primeiro. Parecia uma despedida e, de certa forma, o era. De braços com o pai, deixou o quarto. Seguidos pela tia avó e pela irmã mais velha, que os esperavam no corredor, desceram as escadas. Algumas fotos com a família no salão, ao pé da escada. Antes que saíssem, o buquê predominantemente magenta foi-lhe entregue por Victoria. Agradeceu-a. Seguiram para o carro, partiram para a igreja.

Que longos minutos aqueles pelos quais durou o percurso! Quanta apreensão, que turbilhão de emoções e pensamentos! Mas ali estava seu pai, a confortá-la, a tranquilizá-la, a ampará-la. Como se sentia abençoada e agradecida por ter um pai tão dedicado. De mãos dadas a ele permaneceu por todo o caminho. Até que chegaram à igreja. Muitos carros, os muitos convidados esperando à entrada. Avistou a tia avó, os irmãos mais velhos, os amigos, a cunhada e melhor amiga, os sogros. E lá também estava seu noivo. Altivo, belo e visivelmente apreensivo. O carro parou e Mariana pôde ver María Elena a organizar o cortejo.

A tradição seria seguida à risca e o sacerdote foi o primeiro a encaminhar-se para o templo. Miguel e Cristina, sua estonteante mãe foram os próximos. Com a ajuda dos pais, Mariana enfim deixou o carro . Um último abraço em Victoria, sua madrasta-mãe, que a abençoou antes de caminhar para junto de Felipe, o pai do noivo, com quem adentraria a igreja. Seguiram-se os padrinhos principais, María Luisa e Guillermo; a madrinha de alianças, María Elena; a madrinha de arras, Patricia, irmã mais velha da noiva; os padrinhos de laço, Mercedes e Luis Enrique; e, por fim, a madrinha de honra, Alice, querida tia-avó da noiva, e as daminhas e pajens, primos do noivo.

_ Papai…

Mariana apenas o fitou com ternura e medo, com alegria e ansiedade, e os mesmos sentimentos encontrou nos olhos de seu pai. Respiraram fundo, abraçaram-se. Já não havia como protelar, era chegada a hora. Eduardo estendeu-lhe o braço e, empenhando-se por não chorar, Mariana entrelaçou o braço direito ao braço esquerdo de seu pai. A música, os convidados, o longo caminho até altar. Que alegria! Quanta ansiedade! Que emoção! Primeiro passo igreja adentro e eis o primeiro vislumbre do homem que amava, nervoso, comovido e radiante por enfim ver sua amada noiva. E a cada passo que ela se aproximava, sentiam ambos mais dificuldade em conter suas emoções. Por um breve instante, Mariana voltou o olhar para seu pai, que tão firme, alegre e, aparentemente tranquilo, a conduzia. Sabia contudo que ele estava tenso. Como será para papai me levar até Miguel sabendo o que acontecerá esta noite quando enfim estivermos apenas eu e meu amor? Como será para papai encarar Miguel quando voltarmos de lua de mel? Como deve ser difícil ser pai e ver sua princesinha crescer e casar-se… Então Mariana já estava próxima o bastante para sorrir diretamente para Miguel. Como a regozijava vê-lo tão emocionado, com os olhos prestes a transbordar. Como a regozijava vê-lo a esperá-la, de braços abertos, ansiando por demonstrar de todas as maneiras o que o amor significava para ele, o quanto a amava. E como a preocupava a noite de núpcias, a ansiada primeira vez de ambos, o quão verdadeiramente desejava fazê-lo feliz e ser plenamente amada. Não, não tinha dúvidas de que aquele era o homem de sua vida, o primeiro e único, tal como ele tinha plena convicção de que era ela a única a quem via como mãe de seus futuros filhos e companheira de toda uma vida.

_ Cuide dela como o maior tesouro de sua vida, pois é isso o que ela é para mim – pediu Eduardo, com os olhos inundados e a voz firme.

_ Não o decepcionarei, Eduardo – assegurou Miguel.

Uma breve e regozijada troca de apaixonados olhares entre os noivos. Diante o altar, ajoelharam-se. Logo seriam sacramentadamente marido e mulher.

Thaís Gualberto

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